História do Seridó: Viagem ao país dos Tapuias

Viagem ao país dos Tapuias

Expedição de Roeloff Baro ao País dos Tapuias - Mapa: OpenBrasil.org

Abril de 1647, Ribeira do Potengi. Chovia forte, a ponto das terras do litoral e das adjacências encontrarem-se embebidas pelo aguaceiro que caía e que se acumulava nos rios. O inverno incidia com força total sobre a Capitania do Rio Grande e essa situação fez com que Roeloff Baro não cumprisse imediatamente, como queria, a ordem recebida da Companhia das Índias Ocidentais de ir ao rei Janduí e renegociar as alianças.

A expedição era pequena numericamente, composta do próprio Baro, do ajudante polonês João Strass, de um brasiliano e três tapuias, acompanhados de quatro cães para garantir a caça necessária à alimentação. Durante mais de quinze dias o grupo tentou iniciar o itinerário que levaria até os domínios do rei Janduí, porém, o excessivo transbordamento das águas os reteve nas margens, quase sempre retornando à Ribeira do Ceará-Mirim, lugar de residência de Baro.

Em 21 de abril, aos expedicionários se juntaram mais dois brasilianos que Baro tomou de uma aldeia nas proximidades de onde morava, ocasião em que conseguiram cruzar o leito do Rio Camaragibe, afluente do rio Potengi. Do outro lado do rio encontraram dez tapuias, recém-saídos de uma travessia, a nado, do leito caudaloso do Potengi. , esses tapuias tinham sido enviados pelo rei Janduí com a função de encurtar o tempo da viagem de Baro, já que os portugueses haviam feito contato, oferecendo-lhe presentes e pedindo ajuda na luta contra os neerlandeses. O envio dos índios do sertão ao litoral confirmava as notícias que chegavam ao Conselho do Recife, que mencionavam a boa vontade do rei Janduí em permanecer ao lado dos holandeses. Os tapuias, hábeis conhecedores dos caminhos e dos atalhos para se transitar por entre a mata, guiaram Baro e os seus companheiros por um trajeto menos ensopado de água, factível de ser cruzado em segurança.

Em 23 de abril cruzaram o rio Potengi, perto de sua foz, de onde avistaram o castelo de Keulen (hoje Fortaleza dos Reis Magos).

Em 24 de abril estiveram na casa de Schouten e atravessaram o rio Pitimboa (atual Pitimbu).

Em 26 de abril transpuseram o rio Monpabu (atual Rio Trairi). dirigiram-se para oeste até atingir as cabeceiras do rio Monpabu, onde descansaram por alguns dias, continuando na marcha em direção noroeste.

Em 19 de maio o grupo chegou a um dos contrafortes da Serra de Macaguá (Serra Montagina, pelo texto de Baro) Nos dias de hoje, essa elevação é conhecida como Serra de Santana, em cujo território estão encravado os municípios de Cerro Corá, Lagoa Nova, Bodó, Tenente Laurentino Cruz, São Vicente e Florânia.

Em 22 de maio de 1647 a expedição de Baro, se encontrou quatro guerreiros tarairiú montados a cavalo, que conduziram Baro e seus companheiros até o acampamento do rei Janduí. Ali encontraram apenas mulheres e crianças, já que os homens haviam partido em campanha de guerra, dias antes, com o objetivo de repelir as forças portuguesas e seus aliados Paiaku.

Em 26 de Maio o rei Janduí chegou ao acampamento com seus homens, dando as alvíssaras a Baro e a seus liderados. O embaixador neerlandês, por sua vez, entregou ao régulo uma carta enviada pelo Conselho do Recife e anunciou que deixara com um rol de presentes para selar a aliança entre os nativos e os holandeses. A chegada de Baro foi saudada com lutas na areia entre os rapazes (Tarairius), após um jantar com o rei Janduí a 27 do mesmo mês.

Em 7 de julho Baro deixava a Serra de Macaguá com destino ao litoral, pondo fim a viagem ao país dos Tapuias.

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