História do Seridó: Roeloff Baro - Biografia

Roeloff Baro - Biografia



Vamos nos aprofundar na biografia de Roeloff Baro, um personagem importantíssimo da nossa história, para entendermos o cotidiano dos primeiros povos que habitaram a região do Seridó potiguar.

Roeloff Baro veio para a América portuguesa a bordo de um navio holandês em 1617, que aportou em uma praia do atual litoral do Rio de Janeiro, onde quase todos os tripulantes foram mortos por índios Tupi, aliados dos portugueses. Somente escaparam com vida o grumete Baro, que contava com sete anos de idade à época e o capitão Dierick Ruiters. Este foi enviado para a sede do Governo-Geral, Salvador, onde foi interrogado. Posteriormente conseguiu escapar das autoridades portuguesas e regressou à Holanda. Retornando ao Novo Mundo em 1624, quando da tomada de Salvador pelos neerlandeses, ocasião em que orientou e guiou as tropas responsáveis pela ação militar. O pequeno Baro foi enviado para uma aldeia Tupi no litoral, provavelmente na porção norte da atual estado da Bahia.

Nessa aldeia, com os anos, deve ter aprendido o Tupi, a língua geral e, também, algumas noções de português, dado o convívio cotidiano com os colonizadores, com os quais também pescava, caçava e praticava a agricultura. Conheceu o modo de vida Tupi de perto, praticando seus hábitos e incorporando-os à sua personalidade durante o resto da vida.

É possível que Baro tenha sabido da investida neerlandesa contra a Bahia de Todos os Santos em 1624, porém, somente com o domínio da Capitania de Pernambuco, em 1630, tomou uma atitude decisiva, que mudaria sua vida dali em diante. Secretamente dirigiu-se à sede da Companhia das Índias Ocidentais, em Pernambuco, onde se apresentou às autoridades holandesas como aliado. A companhia soube incorporar Baro às suas fileiras, já que se tratava de um exemplo singular de holandês há anos adaptado ao viver nos trópicos, e profundo conhecedor dos falares dos brasilianos.

A primeira missão conhecida de Baro deu-se em 1643, quando, em companhia de três tapuias, devassou o sertão da Capitania da Paraíba, onde estabeleceu contato com os Waripeba e os Karipató, que enviaram representantes para visitar Maurício de Nassau, retornando para suas aldeias com presentes. Face ao sucesso de Baro, o Conde de Nassau o contratou com ordenado anual, com a obrigação de dedicar-se ao descobrimento de terras. Razão pela qual foi promovido ao status de alferes.

Em 1644, Roeloff Baro viajou à Holanda, onde casou com Lobberich Wijbrants, cerimônia que teve lugar em Amsterdã no dia 15 de outubro. No retorno à América holandesa, sem a esposa, comprou uma fazenda de gado, situado no litoral da Capitania do Rio Grande (hoje Ceará-Mirim), onde ficou residindo. Baro foi nomeado pela Companhia das Índias Ocidentais para desempenhar as funções de articulador da aliança entre os neerlandeses e os Tarairiu. Sua primeira viagem oficial onde tratou das alianças com o rei Janduí da (Nação Tarairiu) se deu entre maio e julho de 1646.

A leitura do diário da viagem de Roeloff Baro, tendo como parâmetros a releitura da tradução feita por Benjamin Teensma nos leva a reconhecer espaços que a partir do século XVIII seriam incorporados ao território da Ribeira do Seridó: a Serra de Santana, o rio Acauã.

Em agosto de 1648 Baro pediu demissão do serviço militar e morreu meses depois, estando sepultado, provavelmente, em algum ponto da ribeira do Potengi, próximo à costa. Pouco mais de cinco anos e face às constantes pressões dos insurretos pernambucanos e à situação política que se desenhava na Europa, os holandeses abandonaram as capitanias do norte, que foram restituídas ao domínio lusitano.

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