História do Seridó: Guerra dos Bárbaros

Guerra dos Bárbaros

Representação da Guerra dos Bárbaros - Imagem: A/D

Após o término das invasões holandesas à capitania do Rio Grande (1633-1654), iniciou-se o processo de concessão de sesmarias – porções de terra destinadas à pecuária. Um dos primeiros sesmeiros do Seridó foi o Coronel Antônio de Albuquerque da Câmara. Com a doação dessas terras, antes pertencentes aos indígenas tapuias (Tarairius), houve uma forte reação dos indígenas à presença luso-brasileira. A apropriação da terra indígena provocou assim sangrentos confrontos bélicos conhecidos pelos portugueses como Guerras dos Bárbaros, oficialmente foi de (1687 a 1697), mas o inicio dos conflitos se deram já em 1683 e se estenderam até 1713.

Para defender os proprietários de terra, em 1683, por iniciativa do Coronel Antônio de Albuquerque da Câmara foi construída uma casa fortificada que serviria de habitação e ao mesmo tempo posto defensivo. Esse ponto estratégico ficava no sítio Penedo.

No auge do conflito, a Casa-Forte do Cuó, onde teriam ficado abrigadas sucessivas tropas militares enviadas pela Coroa Portuguesa para o combate aos nativos revoltados como descreviam os documentos da época, abrigou as tropas de Antônio de Albuquerque da Câmara, posteriormente acudidas pelos soldados do Terço Paulista sob o comando de Domingos Jorge Velho, convocado pelo então Governador Geral do Brasil, Matias da Cunha 1687, para combater os índios seridoenses. O mesmo personagem que, com suas tropas, anos depois, combateria o Quilombo dos Palmares.

O termo “Cuó” é o mesmo que Acauã (tupi) em língua tarairiu, pássaro devorador de cobras (Herpetotheres cachinnans. Se a ele acrescentarmos “Quei” (rio, também um termo tarairiu) temos Queiquó (Rio Acauã, posteriormente, Seridó) que daria origem ao nome de Caicó.

A Casa-Forte do Cuó - Foto: Sandra Kelly de Araújo

A Casa-Forte do Cuó é um importante patrimônio histórico, pois foi uma das primeiras construções coloniais do Seridó. É um marco também do massacre aos povos indígenas seridoenses. Foi a partir do movimento de tropas na Casa-Forte que mais tarde o arraial do Queiquó daria origem à cidade de Caicó.

Atualmente restam somente vestígios de seus alicerces. Algumas informações, no entanto, podem prestar sobre os citados alicerces. São de uma construção com embasamento de alvenaria em pedra e cal. Feita em cima de um lajedo granítico apresenta um partido de planta retangular com aproximadamente 22,60m de comprimento por 15,46m de largura e espessura de aproximadamente 87 cm.

Domingos Jorge Velho
Em 1687, alastrou-se de vez o levante das tribos que desencadearam em ações violentas na Região do Seridó e nas ribeiras do Açu, Mossoró e Apodi. Foi no vale denominado como sendo d'Acauã (hoje Acari) que no período de 26 a 30 de outubro de 1689 travou-se a maior batalha de guerra em que tomaram parte cerca de dois mil Tapuias (Tarairius), contra uns quinhentos soldados das tropas do Terço Paulista, todos os homens de armas treinados pelo experimentado cabo bandeirante de guerra Domingos Jorge Velho, conhecido por sua crueldade, e por isso apelidado de “DIABO VELHO, O resultado foi a morte de mil e quinhentos indígenas e prisão de trezentos, além da morte de trinta homens das tropas de Domingos Jorge Velho. Os sobreviventes do combate dispersaram-se, indo parar no lugar chamado por eles de Queicar xuc, que significa Saco do Xique-Xique (MACEDO, 2000, p. 21;MEDEIROS FILHO, 2001, p. 130-2).

O outro combate ocorreu na Serra da Acauã, situada entre os municípios de Acari e Currais Novos, em 04 de outubro de 1690, do qual foram presos mais de mil índios, quinhentos foram mortos. Domingos foi enviado novamente ao combate do quilombo dos Palmares. Para substituí-lo, chegou Matias Cardoso de Almeida, onde comandou os homens aqui em nosso estado.

Já na região onde hoje se situa o município de Parelhas, no ano 1690, segundo narra o livro Nomes da Terra, do historiador Luiz da Câmara Cascudo, as tropas lideradas por Afonso Albuquerque Maranhão, conseguiram derrotar o Tuxaua da tribo dos Canindés e mais de mil guerreiros. Após a batalha, os poucos índios sobreviventes foram conduzidos ao litoral. Houve varias batalhas ferozes e sangrentas que foram travadas, em toda Região do Seridó.

O encontro do Terço Paulista com nossos antepassados foi dos mais sanguinários da rebelião geral dos nativos. Muitos historiadores chamam de Confederação dos Cariris e outros de Guerra dos Bárbaros. Já em sua fase final as hostes do Terço Paulista receberam mais reforços de soldados vindos da bem sucedida ação contra o Quilombo dos Palmares em 1693.

Somente após a vitória dos portugueses, que foi possível o povoamento da Região do Seridó e demais regiões do sertão Potiguar.

(foto) O bandeirante Domingos Jorge Velho, conhecido por sua crueldade, e por isso apelidado de “DIABO VELHO. Comandou ataques aos nativos abrindo caminho para o povoamento da região Seridó.

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