História do Seridó: Fim do ciclo do algodão

Fim do ciclo do algodão

Bicudo do algodoeiro - Foto: A/D

A partir daí, sucederam-se vários fatores que, juntos, provocaram a declínio das atividades ligadas à economia algodoeira no país e no Estado, porém acentuadamente no Seridó: o aparecimento das fibras sintéticas, a ocorrência de uma sequência de períodos de seca, as altas taxas de juros e a correção monetária incidentes nos contratos de empréstimo rural e, finalmente, o aparecimento da praga do bicudo. O bicudo é frequentemente evocado como o pivô da crise, entretanto ele foi tão somente mais um dos problemas que se somaram e ocasionaram essa história.

Nas duas últimas décadas do século passado, o cultivo de "pés de algodão" mocó, típico e natural da região, sofreu um grande declínio e foi quase que totalmente abandonado pelos produtores locais. No ano de 2000, o cultivo de algodão arbóreo no Rio Grande do Norte ocupara apenas 9.642 hectares, dos quais 8.852 na Região do Seridó. Se compararmos com os anos 1960, quando a cotonicultura se espalhava por 550.000 hectares, ver-se o tamanho de seu encolhimento.

Isso resultou na transformação das terras, antes ocupadas por algodoais, em pastagem para o gado e, depois, em capoeiras e "mata rala", num processo que tem facilitado a desertificação da região do Seridó. O efeito social, paralelo, foi a urbanização da população; a migração de grande parcela de população da zona rural para as cidades.

A consequência foi que a agricultura da região, hoje preponderantemente voltada para a produção de milho e feijão, ficou restrita a pequenos sítios em áreas de vazante (terreno temporariamente alagado pelas enchentes dos rios) e tabuleiro (terreno pouco elevado, arenoso e de vegetação rasteira). A cotonicultura do Seridó, outrora exuberante, foi desestruturada, quase que eliminada, provocando à bancarrota de todos os outros setores envolvidos na cadeia produtiva do algodão: os comerciantes intermediários, maquinistas, beneficiadores e indústria de óleo.

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