História do Seridó: Ciclo do gado

Ciclo do gado

Cerca de pedra / Muralhas da história - Foto: Canindé Soares

Segundo José Augustos Bezerra de Medeiros (Revista do IHGRN, 1948), "Na zona do Seridó, certo e seguro é afirmar-se que todo o movimento povoador decorreu da necessidade econômica de encontrar lugar adequado à localização de fazendas de criação de gados”.

Todo o povoamento do sertão nordestino, feito pelos colonizadores portugueses, está ligado diretamente à formação e à expansão dos ciclos do gado. No entanto, a demanda do açúcar no mercado internacional, durante os séculos XVI e XVII, determinou a expansão da cultura canavieira na Zona da Mata e, parcialmente, no agreste nordestino, e isso ocasionou numerosos conflitos entre plantadores de cana e criadores de gado, nas áreas ocupadas predominantemente pelos canaviais forçaram o governo colonial a estabelecer uma divisão espacial do trabalho e ficou determinado que o plantio de cana-de-açúcar ficaria restrito à Zona da Mata, enquanto que o Sertão ficaria reservado à pecuária.

Uma Carta Régia de 1701 proibiu a criação de gado a menos de 10 léguas da costa. Desta maneira, as partes em conflito passaram à coexistência pacificamente.

A pecuária sertaneja se desenvolveu, pelo menos na sua fase inicial, como uma economia de subsistência e complementar à economia açucareira. Foi, por conseguinte, o ciclo do gado que impulsionou o povoamento do sertão nordestino e, dentro dele, a região do Seridó, mediante a instalação de currais de gado. Os números revelam a estreita relação entre a pecuária e os primeiros núcleos de povoamento da região, em 1775, a freguesia da Vila Nova do Príncipe (que nesta época correspondia a toda região do Seridó) havia 70 fazendas, 07 capelas, 200 residências, 3.147 trabalhadores não-escravos.

Claro que os primeiros sesmeiros seridoenses, salvos algumas exceções, não vieram pessoalmente tomar posse das terras obtidas e dirigir as fazendas que iam instalando. Fizeram-no por intermédio de vaqueiros e procuradores, muitos dos quais se tornaram, posteriormente, fazendeiros abastados. São dessa época os fundadores das grandes famílias que ainda hoje ocupam a título quase exclusivo, ou pelo menos preponderante, o território do Seridó Potiguar.

O gado foi desse modo, ao começar o povoamento da terra seridoense, o elemento fundamental, a fonte de riqueza natural assegurado das condições de vida, a oferecer perspectiva de exploração comercial, o princípio de todo o processo da história do Seridó potiguar.

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