História do Seridó: Ciclo do algodão

Ciclo do algodão

Foto: A/D

Mas, estava escrito que o algodão seria, com o decorrer dos tempos, a dominante econômica do Seridó. Para isso concorreu decisivamente a qualidade da fibra do algodão preferentemente ali cultivado, melhor do que a de qualquer outro tipo brasileiro, e rival das melhores do mundo, prestando-se admiravelmente à confecção dos tecidos finos".

O algodão mocó ou "algodão do Seridó" é uma variedade adaptada ao solo árido, resistente às secas e que produz fibras longas, de grande brancura e poucas sementes. Foi na segunda metade do século XIX que a cotonicultura se expandiu no Seridó; de início como atividade paralela à pecuária e, depois, suplantando-a. A difusão do seu cultivo ocorreu a partir do vale do Rio Seridó, mais particularmente das vizinhanças de Acari. Plantava-se a mesma variedade selvagem cultivada pelos índios Tapuias (Tarairius); depois outras já selecionadas. Porém era uma cultura doméstica, de subsistência.

Só posteriormente é que foi trabalhado como produto voltado para o mercado. Seu destino primeiro foi à indústria têxtil inglesa, em seguida a nascente indústria de fiação e tecelagem do sul do país. Isso em grande parte foi uma decorrência da sua inquestionável qualidade, qualidade essa que lhe valeu o grande prêmio da Exposição Nacional de 1908, realizado na então capital federal, o Rio de Janeiro, para comemorar o primeiro centenário da abertura dos portos e fazer um inventário da economia do país.

O desenvolvimento da cultura do algodão no Seridó fez com que, em 1910 já existissem na região 171 máquinas beneficiadoras de algodão, sendo 124 bolandeiras (tracionadas por animais) e 47 locomoveis (movidas a vapor). Na década de 1920, a região do Seridó - acentuadamente os municípios de Caicó e Jardim do Seridó - produziu mais de 40% de todo algodão exportado pelo Estado para o exterior e para outras regiões do Brasil .

O ciclo econômico algodoeiro do Seridó se sobrepôs à pecuária bovina, atividade que praticamente deu origem ao povoamento colonial da região, e se transformou numa das mais fortes fontes formadoras da renda do Estado, muito embora, essa fosse uma agricultura de sequeiro, praticada em terreno árido e sem irrigação. Contribui para essa acessão o fato da região ser a origem de um dos mais procurados tipos de fibra de algodão, o algodão mocó ou simplesmente o "algodão do Seridó”.

Os altos lucros atraíram quase todo o potencial de trabalho, capital e tecnologia disponíveis na região, que foram empregados na produção, beneficiamento e comercialização daquilo que era um verdadeiro ouro branco.

Em função disso, "até a década de 1970, a maior parte da população do Seridó estava concentrada no meio rural". Essa situação se transplantava para o Estado: "A cultura do algodão no Rio Grande do Norte foi, até o final da década de 70, a principal fonte geradora de emprego e renda, tendo a agricultura participada em percentuais médios, no período 1962 a 1971, com 45% da renda estadual; isoladamente, o algodão contribuiu com 32%" (SPF-RN, 2000).

História do Seridó - OpenBrasil.org
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