História do Seridó: Ciclo da mineração

Ciclo da mineração

Mina Brejuí - Currais Novos RN - Foto: A/D

Foi durante a Segunda Guerra Mundial, um período de escoamento das reservas dos EUA. O americano sempre manteve uma reserva de tungstênio, mas com a guerra ele viu essas reservas diminuírem, ao mesmo tempo em que ficaram sem suas fontes nas minas da Europa e da Ásia.

Então eles se voltaram para o Nordeste. Os americanos estavam aqui desde 1940 para estimular a criação de minas e a descoberta de minérios estratégicos na época como a tantalita, berilo, columbita e scheelita. Estabeleceram uma agência de compra de minério em Parelhas, passaram a dar picaretas, pás e carroças, além de orientação técnica sobre mineração.

O geólogo Júlio Neves, noticia mais de 600 ocorrências de scheelita, no Seridó do RN nessa época. Mas a maior concentração estava em Currais Novos, nas minas Brejuí, Barra Verde e Boca de Laje, que hoje ainda produzem, além da mina Bodó.

Essas minas foram exploradas por grupos nacionais e internacionais. O diferencial da Mineração Tomaz Salustino era o processamento e beneficiamento do tungstênio. Desde a descoberta da mina Brejuí em 1943, Tomaz Salustino, ele teve a orientação técnica de um engenheiro de minas com formação em metalurgia nos EUA. Esse engenheiro fez toda a projeção para o futuro da empresa como uma mineração mecanizada. Foi aos EUA e comprou todo o equipamento, máquinas, caminhões pesados, tratores. Esse investimento tornou a empresa muito rica. Em 1945 a empresa contava com cerca de 2 mil homens trabalhando no sistema de garimpo, extraindo minérios, a produção era somada e vendida praticamente toda para os EUA.

Com a crise econômica do dumping chinês em 1997. quase pois fim a extração mineral de scheelita e tungstênio no Seridó.

Os chineses venderam muito minério ao mundo nesta época, a oferta era muito grande e o preço caiu bastante. Daí as minas daqui foram fechando porque se tornaram antieconômicas diante dos preços baixos. Depois a China, com seu crescimento econômico acelerado, sentiu que precisava das reservas e que as minas de scheelita e tungstênio estavam se exaurindo.

Então passaram a controlar as exportações, deixaram de vender a scheelita primária que nós extraímos e passaram a vender apenas a manufaturada, o ferro tungstênio e outras ligas intermediárias. A scheelita passou a se tornar difícil com o fechamento do mercado chinês.

Desde 2003 novamente as minas de scheelita do Seridó passaram a ser focadas como um potencial a ser explorado. Hoje a região do Seridó extrai mensalmente em média entre 40 a 45 toneladas de scheelita e tungstênio. Exportamos 120 toneladas para a China, que nunca havia comprado scheelita, sempre vendeu, para a Inglaterra e os EUA.

O ciclo da mineração no Seridó Potiguar

Mina de ferro - Cruzeta / RN - Foto: Getson Luis

O Seridó volta a viver uma grande expectativa no setor mineral, à chegada de investimentos em várias empresas exemplificam a riqueza da região e a grande perspectiva de crescimento. Destaque no passado pela grande exploração da sheelita, Currais Novos é uma das principais cidades a vivenciar o “novo momento” da mineração no estado.

O Projeto Borborema vai potencializar o setor mineral no Rio Grande do Norte, que, em uma análise inicial, será responsável por aproximadamente R$ 1,5 bilhão em investimentos nos próximos três anos. Para a Mina Borborema, o investimento é de R$ 400 milhões com estimativa de gerar 320 empregos diretos e 1.500 indiretos. A capacidade anual de produção é de 5 toneladas de ouro, o que representa cerca de 8% da produção nacional.

Além de Currais Novos, outros municípios da região Seridó serão beneficiados com a movimentação econômica gerada pelo empreendimento, principalmente no tocante ao comércio e serviços.

Mina de ferro - Jucurutu / RN - Foto: Google Earth / OpenBrasil.org

Minérios de ferro, ouro, cobre, tungstênio e níquel são algumas das riquezas minerais cada vez mais sob a “lupa” dos geólogos que mapeiam a região do Seridó Potiguar.

A região ainda é muito rica em granito, rochas ornamentais, pedras preciosas e semi-preciosas e minerais industriais, que estão transformando a região do Seridó.

História do Seridó - OpenBrasil.org
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